A Nova Realidade Econômica

Stakeholder ou Stockholder?

Boa parte da teoria econômica e política do passado parte do pressuposto de que as empresas são criadas e controladas por empresários. Nunca imaginaram que o “capital” cairia nas mãos de administradores profissionais que poderiam ser treinados, como o foram em escolas como Harvard e Stanford a serem socialmente responsáveis.

A Nova Teoria Administrativa substitui o conceito de acionista controlador como peça fundamental da empresa, para um conceito mais pluralista de parceiros reunidos num mesmo local para uma cooperação mútua.

A empresa é vista como a organização de vários grupos de interesse, empregados, clientes, fornecedores, governo e acionistas em torno de um objetivo comum.

O acionista não é mais a peça fundamental, mas um dos componentes cujos interesses também precisam ser satisfeitos.

A missão e função do administrador profissional, ao contrário do empresário acionista, passa a ser aquele que tenta conciliar todos estes interesses difusos. Agradando na medida do possível a todos, e não a um único grupo – o acionista.

É o conceito de Stakeholder em vez do Stockholder.

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Fonte http://www.ebah.com.br/

Stake, significa compromisso ou participação.

Um formando que decide trabalhar numa empresa, também está investindo por assim dizer na empresa, também está correndo riscos “capitalistas”, também tem algo a perder se a empresa não der certo.

Idem para um cliente, fornecedor e colaborador externo.

O administrador profissional pode ser agora despedido ad nutum, algo que não ocorria no acionista controlador familiar.

Agora veja um diagrama de Stakeholders vs Stockholders na prática, neste caso da CHESF.

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Fonte: http://www.ebah.com.br/ e CHESF

Pelo organograma da CHESF percebe-se que a preocupação das empresas é bem mais ampla.

Karl Marx achava que o mundo era a luta entre duas únicas classes.

A luta é muito pior, é entre dezenas de grupos de interesses. Todos com suas agendas próprias e representando demandas diferentes.

Tudo isto tem de ser politicamente gerenciado por hábeis administradores profissionais.

O que  Marx, Engels, Lenin, Rosa Luxemburg e tantos outros não diagnosticaram, é que os trabalhadores de chão de fábrica, assunto de suas análises, passariam a ser um dos inúmeros grupos de interesse de uma empresa, e que hoje representam somente 10% dos custos dessa empresa. E, as margens de lucro da empresa seriam até menores, de 4% sobre vendas.

Esta perda de poder do Stockholder, do acionista, que de controlador e majoritário passou a ser minoritário e sem muito poder de decisão, veio acompanhada de uma tendência contrária de fortalecimento do administrador em relação aos acionistas, agora minoritários.

Mais do que maximizar o lucro, minimizar o custo de capital se tornou fator determinante para os administradores profissionais, poderíamos dizer que isto é uma guinada de 180 graus no capitalismo de antigamente.

Em vez de explorar o trabalhador pagando salários mínimos, passamos literalmente a explorar o capitalista fazendo IPOs onde se cobra P/Ls máximos.

O objetivo é vender uma quota do capital da empresa pelo preço máximo, e não pagar o mínimo para nossos companheiros e trabalhadores. Para o Administrador Profissional, os funcionários da empresa são mais próximos a ele do que os acionistas pulverizados e dispersos mundo afora.

Os acionistas viraram distantes, e os trabalhadores da empresa e colegas de trabalho viraram próximos e objetos da nossa proteção.

Sou membro do Novo Mercado, onde se iniciou este paradigma, mas ainda são poucas as empresas que adotam esta postura. E mesmo assim, muitas empresas do Novo Mercado são controladas pelo Partido ou pelo Governo Único, como o Banco do Brasil, única estatal a aderir ao novo mercado.

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Sua missão como administrador é tentar tornar todas as empresas “capitalistas” em empresas Democráticas de capital pulverizado diminuindo o poder individual do capitalista, e aumentando o poder do Administrador. Por isto, nossa ênfase na Administração Socialmente Responsável.

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3 Responses to A Nova Realidade Econômica

  1. Henrique Arake on 2 de julho de 2014 at 11:46 says:

    Mas essa questão se aplica ao Brasil? De verdade? As nossas maiores companhias ainda estão com seu controle acionário muito pouco pulverizado. Mesmo as que estão no novo mercado. Talvez estejamos no caminho intermediário.

  2. Fábio Gonçalves on 3 de julho de 2014 at 2:22 says:

    Estamos ainda em processo embrionário há muito o que fazer para chegarmos lá!

  3. Bruno Rogers on 25 de julho de 2014 at 19:09 says:

    Tirar o poder do capitalista/investidores e entregá-lo ao administrador corresponde a substituir o papel do empreendedor pelo controlador. Cada um tem seu papel na história, e o capitalista sabe bem que apesar de ser um visionário precisa do administrador para não ver seus sonhos descer pelo ralo. E ser administrador não significa necessariamente ser um empreendedor para criar algo que não existia.

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