34 O Administrador Como Um Político

Precisamos Atender os Interesses de Todos e Não dos Acionistas Exclusivamente

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Muita gente esclarecida neste país, intelectuais e professores universitários, acredita que o mundo é controlado por empresários, donos do capital, oligarcas e arrogantes.

Existem no mundo poucos empresários, definidos como administradores, que controlam suas empresas por serem donos do capital.

Hoje quem manda nas empresas globais são administradores. Administradores profissionais treinados para conciliar os enormes conflitos que existem entre clientes, fornecedores, acionistas, trabalhadores, ecologistas e governo.

O sucesso de uma empresa moderna depende da capacidade de seus administradores conciliar esta gama de interesses conflitantes, que os americanos chamam de “stakeholders“.

Um trabalhador e um fornecedor também investem na empresa da mesma forma que um acionista, embora antigamente isto não fosse tão claro.

Por isto a missão do administrador moderno é ser um político, ele tem de saber dosar e manter unido este grupo de interesses conflitantes.

A grande crítica que se fazia ao capitalismo de 1890, é que os próprios capitalistas eram os administradores, como ocorre em muita empresa familiar brasileira.

E aí fica difícil a conciliação.

Um dos elos, os acionistas, sempre ganhava na disputa com os demais.

Sempre que um dos participantes controla a empresa, este participante defende seus interesses em prejuízo dos demais.

Veja o que ocorreu com a Varig, uma empresa não controlada pelos capitalistas, mas pelos empregados.

Ou seja, quando um dos elos controla a empresa pensando somente nos seus interesses.

O bom administrador tentará agradar a todos os elos de uma empresa e não somente o capitalista ou acionista.

Foi justamente esta separação do capitalista e do administrador, antes unificados num único indivíduo arrogante, que permitiu reduzir os conflitos empresariais que os socialistas tanto detestam, e com razão.

O administrador não defende o acionista em detrimento dos outros.

A solução socialista, ao entregar a gerência da empresa a um dos “stakeholders” neste caso o Governo, acabou criando outro tipo de ditadura, a ditadura de esquerda, em detrimento do pluralismo democrático gerenciado pelo administrador.

O presidente da Petrobras, o economista Felipe Reichstull mudou o nome da empresa para Petrobrax, em 2001, sem antes submeter a decisão para a Assembleia de Acionistas. Erro fatal, fruto de seu desconhecimento das leis que regem empresas.

Foi um escândalo nacional, colocou políticos da oposição em polvorosa, e quase perde seu emprego de Presidente.

Uma aprovação prévia pelo Conselho de Acionistas, lhe teria dado respaldo contra as críticas dos políticos.

Mas isto não foi feito porque o governo detém 51% dos votos, e age ditatorialmente.

A Petrobras nega até hoje o direito de voto para 75% de seus acionistas, para que o controle se mantenha na mão de poucos.

O socialismo parece cada vez mais o antigo capitalismo, como previu George Orwell, na Revolução dos Bichos.

A solução moderna “neoliberal” é nenhum grupo de interesse controlar a empresa e muito menos a gerência, que é entregue a administradores profissionais, que serão verdadeiros políticos na conciliação de interesses difusos.

O problema escondido da Enron e da bolha da Internet é que a prática de dar “stock options” a administradores, estes começaram a pensar novamente como capitalistas, defendendo somente um dos interessados, neste caso eles.

Juntaram novamente o gerente com o capitalista, o que provou um retrocesso.

Administrador de empresas na minha opinião não pode participar do lucro nem ter ações da companhia, senão perde sua independência como conciliador de interesses.

Que receba um bom salário, algo que não acontecia com o antigo capitalista gerente porque tinha o controle das ações.

O administrador moderno não é mais o tecnocrata, orçamentista, controlador de resultados de antigamente, mas se aproxima mais do líder carismático, de fácil trato, com amplo trânsito político, socialmente responsável.

O administrador moderno é hoje antes de mais nada um profundo conhecedor de política, e um dos problemas do Brasil é que nossos políticos não entendem nada de administração.

E quando ouvem alguém, procuram economistas, que não entendem absolutamente nada de administração muito menos de crescimento das empresas, base de qualquer economia.

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2 Responses to O Administrador Como Um Político

  1. Marisa Pignataro on 1 de julho de 2014 at 22:50 says:

    “A presidente da Petrobras mudou o nome da empresa para Petrobrax sem antes submeter a decisão para a Assembleia de Acionistas, o que lhe teria dado respaldo contra as críticas dos políticos.” ????

  2. Dan Reznik on 4 de julho de 2014 at 15:44 says:

    O economista quer modelisar e contar pros seus amigos q seu modelobé observável. O administrador e o engenheiro botam a mao na massa.

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