11 Administrando Pessoas Estranhas

Administrar Filhos e Parentes é Muito Mais Fácil

Observando o crescimento da renda no mundo, vemos um enorme ponto de inflexão em 1910, quando o crescimento se torna explosivo.

A riqueza crescia lentamente desde 1980 com a industrialização, mas subitamente dá um salto quântico, que começa a resolver definitivamente o problema da pobreza no mundo.

Veja o Gráfico abaixo, que mostra o tamanho médio de uma empresa metalúrgica, uma das poucas que temos dados de mais de 500 anos.

Elaborei-a com os poucos dados que temos, portanto ela é bem imprecisa mas erros para mais ou para menos de 20% não afetam a conclusão.

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Agora, compare com o crescimento da Renda do Mundo no mesmo período.

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Em 2020, a renda média do mundo está estimada em US$ 20.000, por ano.

Contra US$ 400, em 1800.

O livro A Riqueza das Nações, que propunha a divisão do trabalho, não surtiu o aumento de riqueza proposto.

Ficamos com crescimento lento por mais 200 anos, embora melhor do que zero.

Faltou algo muito importante, que Adam Smith não percebeu.

As empresas da época de Adam Smith eram quase todas familiares.

A divisão do trabalho era sempre entre irmãos, vizinhos ou gente do bairro.

Predominava a Teoria da Gestão e seus “cargos de confiança”, que prevalecem até hoje na Gestão Governamental e Familiar.

Só se encontrava gente de confiança entre familiares, e mesmo assim olhe lá para os genros, e as empresas familiares se mantiveram “médias e pequenas”.

Colocar uma pessoa estranha para cuidar de uma parte vital da empresa, nem pensar.

Com o surgimento da Administração Profissional, que começou em 1911, as empresas explodiram de tamanho. Correlação quase perfeita com o crescimento do PIB.

Em vez de dar ordens e mandar em trabalhador por trabalhador, criamos cargos e funções.

E mais importante é que passamos a contratar não mais parentes e amigos e sim pessoas “estranhas”, mas capazes de tocar independentemente aquela função.

Funções não são mais dadas a familiares ou membros do mesmo partido político, mas para gerentes previamente treinados que não se conhecem, estranhos entre si.

Isto permitiu, pela primeira vez na história, que empresas com 10.000 funcionários, com mais de 400 gerentes e administradores trabalharem em harmonia apesar de não se conhecerem.

Administrar pessoas estranhas entre si se tornou uma ciência a parte, e ocupa uma parcela considerável da ciência da Administração, Recursos Humanos, Psicologia Industrial, Motivação, Liderança, Organização, Incentivos e Remuneração do Trabalho.

É esta mudança de paradigma que permitiu economias de escala.

Empresas puderam criar subsidiárias em outros países, sem ter que deslocar expatriados para comandar estas filiais, podendo contratar administradores locais, e expandir as tecnologias desenvolvidas na matriz.

Não foi a “divisão do trabalho” de Adam Smith que revolucionou o mundo, foram as economias de escala quando descobrimos como pessoas estranhas entre si poderiam trabalhar com objetivos comuns e em harmonia.

É difícil a adoção da tecnologia brasileira por outros países, porque a maioria das nossas empresas continuam familiares e dependem de cargos de confiança, o que impede a expansão para o resto do mundo.  

Veja abaixo o estrago feito pela Lei do Economista 7988 de 1945, que determinou o fechamento de todas as Faculdades de Administração deste país, que durou 50 anos.

A função do administrador é justamente esta.

Permitir pessoas estranhas entre si trabalhar harmoniosamente, sem suspeitas, sem dossiês, sem arapongas, sem as intrigas familiares que sabemos existir em muitas pequenas empresas.

A sua função, futuro administrador, é criar uma empresa onde pessoas estranhas possam produzir em harmonia, fiéis aos clientes e aos fornecedores e que saibam colocar de lado as suas diferenças em prol do bem comum.

Por não termos dado a devida atenção para a Ciência da Administração, não incluímos pessoas estranhas, mantivemos a exclusão social, que outros países abandonaram.  

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O gráfico acima mostra claramente o atraso da América Latina, fruto da Lei do Economista, 7988/45 que determinou o fechamento em 1946 de todas as Faculdades de Administração deste país, proibindo assim a formação de futuros professores de administração, pesquisas em administração, que comprometem o nosso ensino de Administração até hoje.

Portanto, esta talvez seja a nossa maior missão.

Ajudar pessoas estranhas entre si, trabalharem conjuntamente para um objetivo comum, em harmonia, com valores comuns compartilhados, semeando assim o respeito mútuo, paz no mundo e o aumento da produção.

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1 Response to Administrando Pessoas Estranhas

  1. Marisa Pignataro on 1 de julho de 2014 at 12:29 says:

    “Nenhuma tecnologia criada no Brasil é adotada no resto do mundo, porque a maioria das nossas empresas continuam familiares que dependem de cargos de confiança, o que impede a expansão para outros países.”
    Generalização. Há tecnologias brasileiras adotadas em outros países, inclusive algumas criadas no serviço público e estatal.
    Nosso sistema bancário é muito avançado e o Banco do Brasil já exportou muita tecnologia. Nosso sistema de voto eletrônico, o,SIAFI, quando foi criado, e assim por diante.
    Para tratar de “tecnologias” mais prosaicas, temos a manicure e a depilação brasileira, os restaurantes por quilo…
    Prefiro dizer que é difícil a adoção da tecnologia brasileira por outros países do que afirmar que nenhuma tecnologia…

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